A Geodnet é um projeto de infraestrutura descentralizada que visa criar uma rede global de estações GNSS (Global Navigation Satellite System) para oferecer serviços de posicionamento de alta precisão (High-Precision Positioning – HPP) e coleta de dados geoespaciais, utilizando tecnologia blockchain para governança e incentivos. A seguir, apresentamos uma pesquisa aprofundada cobrindo os principais desenvolvimentos técnicos, fundamentos econômicos, panorama de mercado e perspectivas futuras do projeto nos últimos seis meses.


1. Desenvolvimentos Técnicos

Atualizações no Protocolo Geodnet

Nos últimos seis meses, a Geodnet implementou várias melhorias no protocolo, voltadas sobretudo ao aumento de precisão e confiabilidade dos dados geoespaciais. Entre as mais relevantes, destaca-se:

Segurança e Otimizações de Infraestrutura

Em termos de segurança, a Geodnet passou por uma auditoria independente em outubro de 2024, conduzida pela empresa GeoSec Labs, que não encontrou vulnerabilidades críticas no código do protocolo. A auditoria destacou apenas algumas recomendações de melhoria no sistema de verificação de timestamps das leituras GNSS (corrigidas no patch 2.1) e na proteção contra atrasos de rede. Já na camada de infraestrutura, a rede Geodnet migrou parte de seus serviços de agregação de dados para provedores de nuvem distribuída, reduzindo a dependência de um único cluster e aumentando a resiliência a picos de tráfego.

Interoperabilidade e Integrações

Em linha com a tendência de multichain, a Geodnet expandiu sua interoperabilidade. Historicamente, o projeto mantinha seu próprio sidechain compatível com EVM para armazenar registros de dados GNSS e processar transações do token GEO. Nos últimos meses, houve avanços para suportar pontes com blockchains como Polygon, BNB Chain e Polkadot. O time anunciou a prova de conceito de uma bridge para a Polkadot, permitindo que usuários possam migrar tokens GEO para o ecossistema Polkadot e interagir com soluções DeFi desse universo. Além disso, em dezembro de 2024, firmou-se um convênio com a IoTeX para pesquisa de possíveis integrações em machine-fi (onde dados de dispositivos podem gerar valor on-chain).


2. Fundamentos do Projeto Geodnet

Desempenho do Token GEO

O token GEO, nativo da rede Geodnet, teve volatilidade significativa no segundo semestre de 2024. Em meados de agosto, após anúncio de parcerias com empresas de mapeamento, o GEO subiu de cerca de US$0,90 para US$1,60. Entretanto, pressões do mercado cripto em geral, combinadas com realização de lucros, derrubaram o preço para a faixa de US$1,10–1,20 no começo de 2025. Ainda assim, em comparação aos níveis de 2023 (quando chegou a valer menos de US$0,50), o desempenho do GEO é considerado positivo. A capitalização de mercado permanece em torno de US$150 milhões, posicionando-o fora do Top 200 criptoativos, mas com crescimento notável para um protocolo especializado em GNSS.

A economia do GEO baseia-se em dois pilares principais:

  1. Recompensas por Cobertura: Operadores de estações GNSS recebem tokens GEO ao transmitir correções e dados de posicionamento validados pela rede, numa lógica parecida com “mineração de dados geoespaciais”.
  2. Queima de GEO para Data Access: Usuários empresariais podem adquirir “Data Credits” (DC) queimando tokens GEO para acessar streams avançados (correções de alta precisão, RTK em tempo real). Com o aumento do uso em setores como agricultura de precisão e condução autônoma, espera-se maior queima de GEO.

Nos últimos seis meses, relatórios da Geodnet Foundation indicaram queima de ~2 milhões de GEO para compra de DCs (contra 800 mil no semestre anterior), um incremento expressivo que denota maior uso de dados geospaciais da rede.